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Se eu fosse supersticiosa

por Sakura, em 13.12.13

Se eu fosse supersticiosa, diria que hoje fui bafejada pela "sorte" da Sexta-feira 13. Ora vejamos:

 

De manhã, estou trinta minutos atrasada, o que equivale a perder três comboios. Mas para o atraso ser grandioso, tenho de ir mudar o carro de lugar que, ontem à noite, não ficou lá muito bem estacionado.

 

Carro devidamente arrumado, toca de ir a "correr" para a estação. Começa a chuviscar... Ora, chapéu-de-chuva... Não tenho! Única solução: pôr o capuz do kispo e rezar para que se mantenha aquela morrinha. Porém, é Sexta-feira 13 e se eu fosse supersticiosa diria que o azar estava à espreita! E porquê? - perguntam vocês. Porque começa a chover cada vez mais! Um percurso de sete minutos a pé tornou-se um verdadeiro inferno.

 

Completamente esbaforida, consigo apanhar o comboio. Penso para com os meus botões: "Ah, vinte minutos de sossego!". Começo a fechar os olhos e quando estou mesmo, mesmo a adormecer, começo a ouvir gritinhos e risos de crianças. Abro um olho. Vejo a entrar no comboio uma turma de crianças que não deveriam ter mais que cinco, seis, anos. Os miúdos estavam para lá de excitados e contentes: estavam a andar de comboio e iam ao circo. O caro leitor poderá concluir que "circo" foi naquilo que se tornou a carruagem.

 

Arrumei logo de parte a ideia de dormitar um bocadinho.

 

Saio do comboio, já só me faltava apanhar o metro e um pequeno percurso a pé, para chegar ao emprego. Assim que passo as cancelas do metro, pressinto algo de estranho. Oiço um qualquer bichanar sobre problemas na linha. Aproximo-me do placard informativo: "Linha Azul: devido a incidente com um passageiro, a circulação encontra-se interrompida. Não podemos prever quando será retomada".

 

Bonito serviço! Toca de ir a pé... Que é como quem diz: subir a Avenida da Liberdade toda, parte da Rua Alexandre Herculano, parte da Rua Mouzinho da Silveira e a Rua Braancamp. Tudo ruas com uma inclinação jeitosa, pavimentadas com a maravilhosa calçada portuguesa, e eu com saltos de 10 centímetros e (não sei se já vos disse) estava a chover e eu sem chapéu.

 

Mas a minha caminhada não começou sem antes fazer uma visita a uma loja que vende collants, pois tinha descoberto uma malha nas meias! Dirijo-me logo a uma funcionária:

- Bom dia! Queria uns collants castanhos opacos.

- Quer em caxemira, que são mais quentes? Olhe aqui.

- Não, obrigada. (Eu nem sequer sabia que havia collants nesse material. Só queria uns collants normalissímos).

- Sabe que temos uma promoção, se comprar 5...

- Só queria mesmo um par, obrigada.

- E não quer ver mais nada? Umas leggins com fantasia?

- (Sorrio) Não obrigada! Só mesmo estes collants.

 

E o que seria uma operação cirúrgica de entrar, pegar, comprar e sair, acabou por me atrasar ainda mais.

 

Lá começo eu a subir. A meio caminho, já estava de língua de fora e a morrer de calor. Porque, como é Sexta-feira 13, o universo alinhou-se para que trouxesse o meu casaco mais quente (de penas), num dia que nem está assim tão frio. Isto era o que eu pensaria se fosse supersticiosa.

 

Últimos dez metros. O meu estômago faz barulhos. Ah! Pois... Fiz tudo isto com apenas uma caneca de leite no estômago. A intenção de comprar uma sandes no caminho ficou esquecida nalgum lugar sombrio da minha memória. "Não vou voltar para trás e descer a rua, devem estar a brincar comigo!".

 

Chegada ao escritório: esfomeada, encalorada e com dores nos pés. Respiro fundo, preparo-me para dizer "Bom dia" ao meu chefe e para falar com ele sobre uma questão delicada. "Pézinhos de lã" eram necessários naquela altura.

 

A conversa pareceu mais "elefante numa loja de porcelanas".

 

Entretanto tinha passado por um espelho. O cabelo, que foi cuidadosamente esticado esta manhã, tão perfeito quanto a minha falta de jeito permitiu, parecia uma ovelha de tão encaracolado que estava. E não, senhores, não era um encaracolado bonito. Até laca lhe tinha posto, para que se aguentasse mais tempo, pois tenho um jantar logo.

 

Por falar em jantar... Logo é o jantar de Natal aqui do escritório. Ainda nem chegámos à hora de almoço e já vamos assim, nem quero imaginar o resto. Só peço que corra tudo bem, pelo menos no jantar, porque flops à frente dos chefes não é nada bom.

 

 

Resta-me desejar-vos uma boa Sexta-feira e um bom fim-de-semana.

 

 

 

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Quem é a Sakura?

O meu nome é Raquel Lemos. Sakura significa “Flor de Cerejeira” em japonês; escolhi-o pela sua sonoridade e pela beleza das flores de cerejeira. A ideia de criar um blogue nasceu da pergunta «E porque não?»; admito que não venho aqui muitas vezes para escrever... o Blackberry Pancakes funciona mais como uma terapia: pequenas ideias que vou deixando (que se não revolucionam o planeta, ao menos revolucionam o meu mundo!) Obrigada a todos!


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